A vereadora Professora Josete (PT) retorna da 9ª Edição do Fórum Social Mundial (FSM), que neste ano aconteceu em Belém (PA), com uma certeza. Mais do que nunca, parafraseando o tema do evento, ela acredita que um novo mundo é possível e deve ser construído por meio do socialismo. Desde a queda do Muro de Berlim, falou-se muito pouco nisso, até mesmo pelo recuo sofrido pelas esquerdas ao redor do planeta. “Com o advento da crise econômica, no entanto”, diz Josete, “este é o momento para que retomemos as discussões acerca do mundo que queremos para o futuro, é o momento de questionarmos o sistema capitalista”. “Por duas décadas, ouvimos o discurso neoliberal que pregava a auto-regulação do mercado e o estado mínimo, mas agora, contraditoriamente, quem tem a obrigação de resolver todos os problemas são os governos”, afirma.A última mesa da qual ela participou, no sábado (31), teve como tema “Por onde anda o outro mundo possível?” e reuniu o pesquisador Michael Lowy e o editor da revista Margem Esquerda, Emir Sader. Foi discutida a questão da importância da organização dos trabalhadores neste momento de crise. Eles falaram sobre a necessidade da classe trabalhadora se organizar para lutar por seus direitos e fazer a crítica ao Capitalismo, até mesmo porque, como explica Josete, a crise não é apenas econômica: “É energética, alimentar, ambiental; é consequência do próprio sistema, que precisa ser superado”. Outro ponto discutido foi a questão da propriedade dos meios de comunicação de massa nas mãos de uma minoria que detém o poder: “O consenso foi o de que novos meios de informação devem ser procurados, para que esse modelo também seja superado e para que os trabalhadores tenham acesso à diversidade de informações que conduz a uma maior democratização da comunicação”.
Em muitas ocasiões, as discussões do Fórum apontaram para a necessidade de construção de um modelo de poder que inclua os trabalhadores, os movimentos sociais, as diversas etnias e classes ao redor do globo que são excluídas das benesses do mundo capitalista. A América Latina vive um momento importante nesse aspecto, uma vez que vários governos progressistas foram eleitos. “A eleição desses presidentes, que também estavam presentes nesta edição do Fórum, já é um claro sinal de que o povo dos países sul-americanos está questionando a lógica do sistema, está ansioso por mudanças”, afirma Josete. “Para além da luta interna, este também é o momento de buscarmos uma integração ainda maior, para nos fortalecermos enquanto continente e enquanto povos irmãos”, diz.
O mandato vai trazer essa e outras discussões levantadas pelo FSM para a Câmara Municipal de Curitiba. “Nós da esquerda precisamos fazer esse debate, sempre buscando alternativas para um novo mundo possível”, explica Josete. As sessões parlamentares começam no dia 16 de fevereiro.
Legenda da Foto: Josete com o sociólogo português Boaventura Santos, que, durante o Fórum, alertou para a necessidade de superação do modelo neoliberalista