Companheiros e Companheiras,Não é novidade para nenhum de nós – que estivemos na batalha da última campanha, que o momento é de reflexão, união e sobretudo construção do nosso projeto político. Os últimos resultados eleitorais nos mostraram que é preciso retomar metas, objetivos e corrigir caminhos. O que temos visto dentro das instâncias do partido e também através da atuação dos mandatos dos nossos parlamentares é a retomada das forças, com a realização de debates de formação, reflexão, organização do trabalho e principalmente a transparência e o diálogo franco e necessário entre nós, companheiros e companheiras.
O PT sempre foi sinônimo da união das diferenças, o exercício da democracia e principalmente a história pautada nos valores da luta dos trabalhadores. Portanto, companheiros e companheiras, é triste e lamentável que neste momento que deveríamos concentrar nossas atenções e esforços na busca de preparar, sobretudo motivar o conjunto da nossa militância para o enfrentamento do próximo período; tenhamos que nos deparar com debate entre companheiros do partido sendo levado para a imprensa e outros meios de comunicação, aliás fóruns estes, não tão adequados ao debate interno. Lamentável também sermos instados a nos manifestar diante dos questionamentos de militantes e simpatizantes ao partido, sobre o porque da opção pela Gazeta do Povo para exposição de críticas e divergências internas com relação ao método e forma de condução da política do nosso partido. Sabemos todos quais as reais intenções da grande mídia em pautar assuntos de natureza política, como a entrevista por exemplo, do deputado estadual Tadeu Veneri para a Gazeta do Povo no último domingo(14/06).
Mesmo sabendo que o diálogo franco e aberto que nos caracterizou e nos diferenciou sempre dos demais partidos, se faz nas instâncias partidárias, continuamos sendo surpreendidos com debates mediados pela imprensa que de modo geral torce e opera – é sabido, pelo nosso fracasso e a nossa derrota, sobretudo no Plano Nacional com o projeto de fazermos a sucessão de Lula, tarefa esta, de todos nós.
Desta forma, esta Carta Aberta tem o objetivo de solicitar que todos façamos uma reflexão sobre realmente quais são nossos valores, metas, objetivos, desafios como militantes do PT.
Se falamos e defendemos um projeto democrático baseado nos valores da ética, solidariedade e justiça social, porém não os exercitamos dentro da nosso própria casa, devemos então, rever nossas praticas e nossos reais interesses, porque estes muitas vezes podem se traduzir equivocadamente em desejo de promoção e projeção pessoal destoado de um projeto coletivo maior.
Devemos nos perguntar: qual é o exemplo que estamos dando para aqueles que desejamos que acreditem em nosso projeto, arregimentando-os para fazer frente a nossa luta? Ou mesmo aqueles companheiros e companheiras, hoje afastados do partido, e que se constituem em nosso maior desafio – trazê-los novamente ao exercício da militância partidária – as chamadas forças vivas do nosso partido – tão essenciais ao PT.
Devemos nos perguntar: A quem serve uma imprensa conservadora que historicamente sempre foi palco do duelo da direita contra os partidos de esquerda, bem como contra os movimentos sociais – deve ser nosso espaço para debater nossas divergências partidárias? Quais os reais interesses que estão por trás dessas “ofertas” de espaços privilegiados nos jornais, em rádios, blog entre outros….para que façamos nossos debates?
Creio que várias são várias são as reflexões necessárias ao restabelecimento do diálogo interno e do esforço conjugado, capaz de apesar das diferenças e divergências naturais, possamos focar nossas forças na construção da unidade partidária, que nos conduzirá – a todos e todas – a tão almejada vitória.
Por fim, espero que o partido paute este debate , no espaço onde as diferenças se colocam para construir e não para retroceder.
Roseli Isidoro, vice-presidente do PT de Curitiba