“É preciso dar nitidez ao projeto que temos para a cidade. Candidatura própria já!”, diz documento das correntes “Democracia Socialista” e “Base e Luta”
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Um grupo de militantes do Partido dos Trabalhadores protocolou nesta quinta-feira (7) no diretório municipal da sigla um documento em defesa do lançamento de candidatura própria à Prefeitura de Curitiba.
“Temos a certeza de que a candidatura própria mobilizará nossa militância, que todos e todas estarão empenhados na construção de um projeto para nossa cidade, um projeto que se articule com o plano nacional”, diz trecho da nota, assinada pela chapa Democracia pela Base – Construindo o Socialismo, que reúne duas correntes internas: a Democracia Socialista (DS) e a Base e Luta.
O documento avalia que se PT, PMDB e outros partidos lançarem candidatos próprios a prefeito, cresce a possibilidade de haver segundo turno na capital paranaense. E alerta para que o PT não repita os mesmos erros de 2010, quando ficou refém da indecisão do então senador Osmar Dias (PDT).
“Nosso partido deixou de construir sua própria candidatura [ao governo do Paraná, em 2010] e realizou a convenção absolutamente fragilizado, sem alternativa”, diz a nota. “Devemos evitar correr os mesmos riscos. E desta vez – é preciso registrar – sequer existe a alegação de que precisamos construir algum tipo de palanque eleitoral, já que as eleições municipais não são casadas com nenhum outro pleito.”
O texto cita ainda o último seminário de planejamento do PT de Curitiba, realizado em fevereiro, quando todas as forças políticas internas entraram em consenso quanto à defesa da candidatura própria a prefeito de Curitiba
“Queremos políticas públicas efetivas, incluindo curitibanas e curitibanos durante décadas esquecidos por governos que, em detrimento dos direitos da maioria da população, mantêm os privilégios de grupos políticos e econômicos”, aponta a nota. “É preciso dar nitidez ao projeto que temos para a cidade e o momento eleitoral é o mais propício para dar visibilidade a ele. Neste momento precisamos de coesão partidária, fazendo com que todas as correntes internas e figuras públicas assumam as deliberações feitas no planejamento partidário.”
A seguir, a íntegra do documento.
Na defesa da candidatura própria em Curitiba
Curitiba, 7 de julho de 2011.
Em fevereiro deste ano, participamos do seminário de planejamento do Partido dos Trabalhadores em Curitiba. Nesse planejamento, tiramos ações que abrangem desde a construção partidária até o processo eleitoral de 2012.
Na ocasião, todas as forças políticas que formam o PT entraram em consenso em defesa da candidatura própria a prefeito de Curitiba, uma ação fundamental para as próximas eleições. Ampliar nossa bancada de vereadores também foi uma prioridade apontada.
Além de ser uma definição tomada no planejamento, acreditamos que o acúmulo que o partido teve no último período, sendo vitorioso nas três últimas disputas eleitorais à presidência, nos coloca o desafio de eleger um prefeito ou prefeita em Curitiba, uma das capitais mais importantes do país.
É inconcebível que, após dois governos conduzidos pelo presidente Lula, garantindo diversos avanços nas políticas públicas em distintos setores e a consequente eleição de Dilma, o PT não apresente uma candidatura própria na capital do Paraná. É importante lembrar ainda que se o PT, o PMDB e demais partidos lançarem candidatos próprios a prefeito, aumenta consideravelmente a possibilidade de haver um segundo turno.
Vale lembrar o desgaste vivenciado pelo PT estadual em 2010, quando da indecisão do então senador Osmar Dias (PDT) a se candidatar ou não ao governo do estado. Nosso partido deixou de construir sua própria candidatura e realizou a convenção absolutamente fragilizado, sem alternativa.
Devemos evitar correr os mesmos riscos. E desta vez – é preciso registrar – sequer existe a alegação de que precisamos construir algum tipo de palanque eleitoral, já que as eleições municipais não são casadas com nenhum outro pleito.
Vale registrar ainda que a Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores, em reunião realizada no último dia 29 de junho, tratou, entre outros assuntos, das eleições municipais de 2012. Nessa reunião, a Executiva Nacional apontou que o partido não irá repetir a tática de 2010, e que “agora é tudo pelo PT”, conforme trecho a seguir, extraído de matéria publicada no portal nacional do partido na internet:
“[…]Em relação às eleições municipais que serão realizadas no ano que vem, o secretário nacional de Organização, Paulo Frateschi, explicou que haverá mudanças. “Fizemos uma excelente discussão sobre a construção tática para as eleições municipais de 2012, que é uma situação extremamente nova. Não vamos continuar com a tática eleitoral de 2010 e, como diz o presidente Rui Falcão, agora é tudo pelo PT. Atualmente estamos correndo o Brasil para ouvir, principalmente nas capitais onde há mais de 250 mil eleitores e, com isso, possibilidade de 2º turno, ouvir a base e diretórios para ajudar a compor essa tática eleitoral”, destacou Frateschi.[…]”
O PT de Curitiba precisa se colocar como protagonista, como alternativa de governo para a cidade. Deve debater sua estratégia eleitoral para a próxima década e traçar objetivos a curto, médio e longo prazos. Num momento tão especial vivido pelo Brasil, não podemos nos omitir. Se, em momentos mais difíceis, em que fizemos campanhas duras na disputa à presidência e sofremos derrotas eleitorais, tivemos candidatura própria, não há justificativa para abrir mão dela na atual conjuntura.
Temos consciência de que não será uma tarefa fácil. Afinal, um grupo político que está à frente do poder na cidade há mais de quatro décadas, e que hoje está no governo do Estado, obviamente fará todos os esforços para manter sua hegemonia.
Queremos e podemos construir uma cidade mais justa, buscando alternativas para incluir aqueles e aquelas que historicamente foram desconsiderados pelos governantes que estiveram e continuam à frente do poder local. A cidade ecológica (com praticamente todos seus rios mortos), a capital social (que está entre as capitais com maior desigualdade social do país), a cidade sorriso (onde a taxa de homicídios por habitante é o dobro da taxa do Rio de Janeiro e quase quatro vezes a de São Paulo), a cidade da família (quais famílias? do transporte coletivo, do mercado imobiliário?) não passam de “títulos” sustentados pelo marketing institucional.
Não é isso que queremos para o povo curitibano. Queremos políticas públicas efetivas, incluindo curitibanas e curitibanos durante décadas esquecidos por governos que, em detrimento dos direitos da maioria da população, mantêm os privilégios de grupos políticos e econômicos.
É preciso dar nitidez ao projeto que temos para a cidade e o momento eleitoral é o mais propício para dar visibilidade a ele. Neste momento precisamos de coesão partidária, fazendo com que todas as correntes internas e figuras públicas assumam as deliberações feitas no planejamento partidário.
Precisamos eleger o prefeito ou prefeita desta cidade e ampliar significativamente nossa bancada de vereadores. Temos a certeza de que a candidatura própria mobilizará nossa militância, que todos e todas estarão empenhados na construção de um projeto para nossa cidade. Um projeto que se articule com o plano nacional, dando passos concretos para a transformação de Curitiba em uma cidade socialmente justa.
Candidatura própria já!
Chapa Democracia pela Base – Construindo o Socialismo