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A Câmara de Curitiba realizou na manhã de ontem uma au­­diência pública para discutir com a população a reforma da Lei Orgânica Municipal, a constituição da cidade. Dentre as propostas populares apresentadas, destacaram-se a sugestão de prever em lei a obrigação de a prefeitura destinar no mí­­­nino 30% do orçamento para a educação (hoje a legislação exige 25%). Outra proposta prevê que também seja estabelecida em lei a prioridade, nas ações municipais, das bicicletas e do transporte público em relação aos carros. Os curitibanos ainda terão até o dia 18 para enviar outras propostas (veja como fazer isso ao fim desta reportagem).

Cerca de cem pessoas estiveram presentes na audiência. Na reunião, havia representantes de di­­­ver­­­sos segmentos da sociedade, como professores, ciclistas, idosos e portadores de deficiência.

Educação

A elevação do investimento mínimo em educação para 30% já é uma discussão antiga na comissão de vereadores que estuda mudanças na Lei Or­­gânica. Antes da audiência, o Ministério Público e a vereadora Professora Josete (PT) já haviam sugerido essa mudança, mas ela foi barrada na comissão.

Na reunião de ontem, professores da rede pública voltaram a pedir que os 30% sejam incluídos na lei. Mas, segundo o presidente da comissão, Paulo Frote (PSDB), é pouco provável que o pedido seja aprovado. O vereador afirma que consultou o prefeito Luciano Ducci (PSB) e que ele disse que o orçamento ficaria muito engessado com essa exigência.

A presidente da APP-Sindi­­cato, Marlei Fernandes de Carvalho, apresentou também uma proposta de incluir a formação continuada de professores como uma obrigação da prefeitura. De acordo com ela, a proposta visa, ao mesmo tempo, valorizar o professor e melhorar a qualidade do ensino. Hoje, essa previsão não consta na lei.

Já o presidente do Diretório Central dos Estudantes da Unicuritiba, André Feiges, foi à reunião para sugerir mudanças no artigo 147 da lei, que trata da política de desenvolvimento urbano de Curitiba. Para ele, a redação dada pela comissão já representa um avanço, mas não especifica a priorização dos veículos não motorizados, como a bicicleta, sobre os carros. “Hoje o poder público tenta se apropriar da imagem da bicicleta, mas sem apresentar políticas públicas que a tratem como um modal integrado à rede de transportes”, disse ele.

Legislação da cidade está defasada

Considerada a principal legislação do município, a atual Lei Orgânica de Curitiba está em vigência desde 1990, dois anos depois da promulgação da Constituição Federal. Mas, ao contrário da Constituição, que sofreu inúmeras emendas, a lei recebeu poucas alterações desde então e, com isso, ficou defasada em relação a legislações federal e esta­­dual. Por causa disso, a Câmara de Curitiba instalou uma comissão para revisá-la por inteiro.

Uma comissão foi montada para fazer esse trabalho em 2007 e chegou a terminar o projeto, mas ele acabou não indo à votação por motivos políticos. Em 2009, uma nova comissão foi montada, aproveitando parte do trabalho da primeira. Os trabalhos foram encerrados no mês passado. Agora, uma nova comissão irá revisar o trabalho finalizado e deve entregar um projeto definitivo para votação até o fim do ano.

A comissão de revisão apresentou, durante a audiência pública de ontem, as propostas elaboradas durante dois anos de trabalho dos vereadores. A apresentação foi feita pelo relator da comissão, Paulo Salamuni (PV), que destacou alguns artigos modificados, como o fim da reeleição para a Mesa Executiva da Câmara e o desconto a parlamentares faltosos (ver quadro ao lado). Salamuni frisou, também, que 57% dos artigos da lei devem sofrer algum tipo de alteração.

Serviço:

A população poderá fazer sugestões para a nova Lei Orgânica de Curitiba até 18 de novembro, pelo e-mail [email protected]. Essas sugestões serão encaminhadas à Procuradoria Jurídica da Câmara, que avaliará sua legalidade.

Gazeta do Povo