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A tragédia foi anunciada: em 2005, o Banco Central Europeu (BCE) alertava a comunidade europeia para desequilíbrios financeiros no continente(link is external): “Várias potenciais fontes de risco têm crescido nos últimos seis meses. A rentabilidade do setor bancário poderá ser testada em um futuro próximo, especialmente se as taxas de juro de longo prazo permanecerem baixas por um período prolongado”, avisava relatório do BCE, aparentemente de forma inútil – como todos sabemos, a crise financeira estourou em 2008 e elevou o desemprego na Europa, especialmente entre os jovens, para índices recordes.

A resposta do BCE e do Fundo Monetário Internacional (FMI) à crise foi clara: os governos deveriam apertar o bolso, fechar a mão e reduzir ao máximo os gastos públicos. Tudo em nome do equilíbrio fiscal, para acalmar os ~mercados~. E assim foi feito: pacotes de austeridade foram impostos a países como Grécia, Portugal e Irlanda, que receberam em troca financiamentos do banco europeu e do FMI para recuperar a economia nacional; gastos estatais com a população – leia-se postos de trabalho e programas sociais – foram cortados.

No mundo todo, 62 milhões de pessoas perderam o emprego devido à crise. Destes, 9 milhões estavam na União Europeia (eram 15,9 milhões de desempregados em março de 2008(link is external) e 24,8 milhões em julho de 2014(link is external) – 6,7% e 10,2% da população, respectivamente). Entre os jovens, o número é ainda mais impressionante (e preocupante): hoje, um em cada cinco jovens europeus está fora do mercado de trabalho. Em países como Espanha e Grécia, a situação é gravíssima, com mais da metade da população abaixo dos 25 anos desempregada.

Seis anos se passaram e é isso que a austeridade trouxe à Europa: nada. O desemprego segue altíssimo e, para completar, mesmo as economias mais fortes da União Europeia, como Alemanha e França, desaceleraram e não conseguem superar a crise mundial. A economia alemã retraiu 0,2% no segundo trimestre de 2014(link is external), ao passo em que os franceses estão estagnados – o país cresceu 0,2% ano passado e ficou no zero em 2012, segundo o Banco Mundial. A Itália voltou a entrar em recessão após uma queda inesperada em seu PIB(link is external).

E o Brasil? Conseguiu, graças à firmeza de Dilma Rousseff na condução do país e ao bom desempenho dos bancos públicos, manter os investimentos e a disponibilização de crédito no mercado e, assim, minimizar os efeitos da mesma crise. Enquanto a Europa não deu nenhum passo à frente, por aqui foram criados 10 milhões de postos de trabalho desde 2008 (números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados(link is external)), fazendo com que o nível do desemprego chegasse ao patamar mais baixo desde o início da série histórica. Foram, inclusive, criados programas como o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que contribui para a qualificação profissional e empregabilidade, principalmente dos jovens que desejam ingressar no mercado de trabalho.

Na comparação entre a realidade europeia e a brasileira diante da crise, vemos que a abertura de vagas no mercado de trabalho brasileiro seria suficiente para empregar todos os desempregados pela crise europeia! Além disso, o salário mínimo aqui teve ganho real – acima da inflação – e 22 milhões de brasileiros conseguiram superar a pobreza – um estudo recente do Banco Mundial aponta que a pobreza caiu 76% no Brasil em oito anos.

Obviamente, a crise atingiu o Brasil – em um mundo globalizado e com as economias conectadas da forma como são hoje, é impossível blindar o país por completo. A diferença é que, aqui, não é o povo que paga a conta. A garantia disso é o que já afirmou a presidenta Dilma: “Eu não fui eleita em 2010 pra achatar e arrochar salário, e nem para desempregar e tirar direito de trabalhador. E não é agora que eu vou tirar direito de trabalhador e trabalhadora. O meu lado é do povo trabalhador desse país”.

Fonte: Site Muda Mais