O vereador Jonny Stica (PT), juntamente com estudantes, empresários de eventos artísticos de Curitiba, comerciantes do Abranches e a sociedade civil, deu início à campanha A Pedreira é Nossa! “Trata-se de um grupo de pessoas que não se conforma com o fechamento da Pedreira Paulo Leminski. Assim, resolvemos unir forças para a reabertura do espaço artístico mais democrático da cidade”, explica o parlamentar.
O espaço foi fechado em 2008 devido a uma liminar da Justiça, que acatou uma ação do Ministério Público do Paraná, feita em nome de alguns moradores da região que reclamam de barulho em dias de shows. “Entendemos a situação de quem mora perto da Pedreira em não querer conviver com barulho e bagunça. Mas criando uma regulamentação criteriosa para o espaço – a qual os produtores já se comprometeram em seguir à risca – minimizamos o impacto para a região”, diz Jonny.
A campanha recebeu até mesmo o apoio do presidente da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), Paulino Viapiana, que prometeu ajuda à causa. “O fechamento do local está trazendo inúmeros prejuízos para a classe artística e para a cultura e a economia de Curitiba”, lembra o vereador.
O objetivo da campanha é conseguir um acordo entre o MP e a FCC sobre a ação que corre na 4.ª Vara de Fazenda de Curitiba. Para isso, o grupo lançou o site www.apedreiraenossa.com.br para angariar adesões a um abaixo-assinado pedindo a reabertura. “É fundamental que o curitibano mostre mobilização para que a campanha dê certo”, diz Jonny.
A campanha A Pedreira é Nossa! é a primeira grande ação do vereador, o mais jovem parlamentar da atual legislatura. “A cultura, ao lado do meio ambiente e de ações voltadas para a juventude, será uma das principais preocupações do mandato”, explica.
Contato para a imprensa: Diogo Dreyer 8814 5370.
Leia matéria da Gazeta do Povo sobre o assunto
Sociedade se mobiliza para reabrir Pedreira
Publicado em 09/05/2009 | Luigi Poniwass
Amanhã Pinhais (sim, o ExpoTrade fica no município vizinho, a 10 quilômetros do Centro de Curitiba) recebe o primeiro megashow a aterrissar no Paraná em 2009 – o dos britânicos do Oasis. Não fosse a enorme burocracia que hoje em dia precisa ser superada para a realização de grandes eventos na Pedreira Paulo Leminski, a trupe dos irmãos Gallagher seria mais uma atração internacional a pisar o sagrado solo do mais original espaço para shows do Brasil – e orgulho dos curitibanos. Que, por sinal, fica a seis quilômetros da Praça Tiradentes.
Na prática, hoje quem decide se um evento pode ou não ser realizado na Pedreira é o juiz da 4.ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, Douglas Marcel Perez. Mas os produtores não podem pedir a autorização diretamente a ele. Precisam antes fazer uma solicitação formal à Fundação Cultural de Curitiba, que por sua vez faz um requerimento ao juiz, aguarda a decisão e a repassa aos contratantes.
Se precisasse esperar todo esse trâmite, a Time For Fun, responsável pela vinda do Oasis, corria o risco de não ter tempo hábil para organizar o show na data disponível – o que a levou a desistir da Pedreira e bater o martelo com o ExpoTrade.
Mas há uma luz no fim do túnel: desde a semana passada, está no ar a campanha A Pedreira é Nossa!, uma mobilização virtual organizada pelo vereador Jonny Stica (PT), em conjunto com empresários e produtores artísticos da capital, estudantes e representantes da sociedade civil, para tentar reverter a decisão e reabrir a Pedreira Paulo Leminski para shows. Para participar, basta acessar o site www.apedreiraenossa.com.br e preencher os dados no abaixo-assinado eletrônico.
“A única maneira de sensibilizarmos o juiz e o Ministério Público para reabrir esse espaço maravilhoso é com uma comoção popular, e é isso que pretendemos com o abaixo-assinado”, explica Jonny, que, na segunda-feira, vai fazer um pronunciamento sobre o caso na tribuna da Câmara Municipal. “Mas também não queremos entrar em conflito com os vizinhos da Pedreira. Por isso estamos propondo um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), criando um cadastro dos produtores interessados e estabelecendo punições severas para quem não cumprir as regras para a utilização do espaço, quando ele for reaberto.”
Segundo o vereador, com uma regulamentação clara sobre horários, capacidade de público e quantidade de eventos, seria possível conciliar os interesses da cidade e de milhares de curitibanos com a justa demanda por segurança e sossego dos moradores do entorno. “Ou então o Ministério Público deveria pedir a interdição de todos os estádios de futebol ou qualquer evento que concentrasse mais de 5 mil pessoas, e Curitiba voltaria a ser uma província.” Ele lembra ainda que muitos moradores do Abranches se beneficiaram da valorização dos imóveis que veio a reboque da implantação da Pedreira e da Ópera de Arame. “E agora querem que ela seja abandonada?”, questiona.
Os produtores da capital fazem coro com o vereador. “A Pedreira fechada está repercutindo muito negativamente para a vinda de grandes eventos a Curitiba”, afirma Mac Solek, da Prime Eventos, que organizou o último show realizado na Pedreira – Inimigos da HP, em agosto do ano passado (graças a uma liminar). “Desde a interdição, só eu deixei de fazer cinco shows em Curitiba, entre nacionais e internacionais, por falta de espaço.”
Patrik Cornelsen, da Planeta Brasil, que faz a produção local do show do Oasis e estava por trás das duas últimas edições do Tim Festival na Pedreira, vai além: “Só o Tim Festival 2007, somando todo o recolhimento de impostos, taxas, mais a receita indireta com mídia, turismo, hospedagem, transporte, alimentação, gerou mais de R$ 1 milhão para a cidade”. Ele diz ter recebido cerca de dez consultas para a realização de shows em Curitiba nesse último ano.
Apoio oficial
Paulino Viapiana, presidente da Fundação Cultural de Curitiba – órgão da prefeitura que administra a Pedreira – também apoia o movimento pela liberação do espaço. “Temos o maior interesse em reabrir a Pedreira, é o maior e melhor espaço para grandes eventos em Curitiba, tem grife, é conhecido no mundo inteiro”, destaca. “A cidade só perde com a Pedreira fechada. Perde financeira, turística e culturalmente, já que muitos empresários deixam de colocar Curitiba entre suas opções no Brasil. E a cidade, que sempre teve uma imagem de vanguarda, fica praticamente fora do calendário.”
Viapiana termina com um alerta: “Se essa indecisão permanecer, daqui a pouco vamos precisar de muito dinheiro para revitalizar a Pedreira, porque tudo o que não é usado acaba se deteriorando. E por enquanto eu não posso fazer nada porque não sabemos se esse espaço, que é o segundo ponto turístico mais visitado de Curitiba, poderá ser utilizado”.
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