A Câmara Municipal de Curitiba vai votar nesta segunda-feira (27), a Lei de Diretrizes Orçamentárias 2012 (LDO). O documento define o orçamento para o próximo ano e aponta programas, diretrizes e ações a serem executados pela prefeitura. Diante do projeto enviado pelo Prefeito, após análise, os vereadores da bancada de oposição (PT e PMDB) elencaram considerações que apontam em especial para uma incongruência entre o que se discursa e o que será feito. E também apresentaram emendas coletivas para suprir reduções de investimentos no projeto do município, em especial, para o atendimento de áreas sociais como educação e habitação.
Em primeiro lugar, evidenciam erro de previsão para a definição da receita orçamentária. A estimativa da receita corrente é de um crescimento de 7,60% sobre a receita prevista para 2011. A receita corrente consolidada geral é de R$ 5 bilhões para 2012. Os vereadores avaliam que é uma estimativa conservadora para um cenário de PIB de 4,1% e IPCA de 4,5%. Para esse cenário, segundo análise, estima-se o crescimento de 10% – mesma variação prevista para o exercício de 2011. Essa diferença estimada implica em um acréscimo na receita de R$ 112 milhões.
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II – Variação da Receita |
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ICMS |
10,73 |
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IPVA |
8,21 |
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IPTU-ISS |
13,57 |
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FPM |
8,81 |
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outras receitas correntes |
4,64 |
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transf. Fundeb |
13,12 |
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transf. SUS |
4,17 |
As receitas com menores variações e que resultaram em uma estimativa geral menor foram: outras receitas correntes com variação estimada de 4,64%; transferência SUS 4,64%; FPM 8,81%; e IPVA 8,21%
Já a despesa estimada pela Prefeitura está em R$ 5 bilhões, o maior aumento está previsto para Investimento, com crescimento de 65%. De acordo com a análise da oposição, há uma variação muito baixa na despesa com pessoal: estimada em 3,6%. A projeção correta, segundo análise dos vereadores, deveria ser um aumento no intervalo entre 10% e 12%. O próprio relatório da consultoria Publix contratada pela Prefeitura aponta crescimento de 9,27%.
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III – DESPESA |
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2011 (provável) |
2012 |
Var. % |
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DESPESA CORRENTE |
4.642.614.727,00 |
4.937.899.000,00 |
6,36 |
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Pessoal e Encargos |
1.589.067.606,00 |
1.646.805.000,00 |
3,63 |
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Juros e Amortização da Dívida |
22.613.434,00 |
23.970.000,00 |
6,00 |
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Outras Despesas Correntes |
3.030.933.687,00 |
3.267.124.000,00 |
7,79 |
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DESPESA DE CAPITAL |
311.361.352,00 |
483.234.000,00 |
55,20 |
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Investimento |
263.311.985,00 |
433.102.000,00 |
64,48 |
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Amortização da Dívida |
44.649.367,00 |
46.732.000,00 |
4,66 |
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Reserva de Contingência |
76.068.000,00 |
84.378.000,00 |
10,92 |
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TOTAL GERAL DAS DESPESAS |
4.953.976.079,00 |
5.030.000.000,00 |
1,53 |
OPOSIÇÃO APRESENTA EMENDAS PARA SUPRIR LACUNAS NAS ÁREAS SOCIAIS
No geral, o projeto enviado pela Prefeitura à Câmara Municipal de Curitiba, prioriza demandas como pavimentação de ruas, mobilidade urbana e programas voltados, em especial, para a Copa de Mundo, Metrô e linha verde norte-sul. Destaca-se NO TEXTO atenção especial para setores das áreas sociais. A Mensagem prefeitural afirma que “… as prioridades de investimento do Município para o próximo ano enfatizam a preocupação com o desenvolvimento social, com o destino significativo de recursos para os setores da educação, saúde e habitação.” Porém, ao se analisar o texto, percebe-se que diferente do que está proposto, há uma redução no investimento para estas áreas. Para suprir estas lacunas, entre as emendas apresentadas pela bancada da oposição, destacam-se as propostas para aumento de investimento nas metas de habitação e educação infantil.
Apesar do projeto do Executivo destacar que foi ampliado significativamente o atendimento na área habitacional, a meta física para a ação denominada “Construção de moradias e reassentamentos de famílias em áreas de risco” apresenta redução de 159 para 100 unidades. A redução, segundo os vereadores oposicionistas, é no mínimo questionável, tendo em vista que Curitiba possui 1,5 milhão de m² ocupados de maneira incorreta, de acordo com dados divulgados pela imprensa. Só a capital paranaense tem 254 ocupações irregulares, onde vivem 207.754 mil pessoas ou 54 mil famílias. Sessenta e cinco mil estão na fila da Cohab na capital do estado. Diante da redução das metas na área da habitação, bem como o não cumprimento de objetivos previstos para anos anteriores, a bancada de oposição protocolou emenda que aumenta o número de moradias a serem construídas. (em anexo)
Na área da educação infantil, novamente o discurso é um e a intenção manifestada na LDO é outra. Também há uma redução na meta em comparação ao ano anterior. Na LDO 2011 estava prevista a construção de 18 novos CMEIs e na LDO 2012 estão previstos apenas 10 novos CMEIs. Os vereadores da bancada de oposição apresentaram emenda (em anexo) que altera de 10 CMEIs para 20 CMEIs em 2012, já que o Município de Curitiba não possui vagas suficientes para atender a demanda e a exigência do Ministério Público – o qual estabelece uma meta para o Município de até 2016 abrir 25.000 mil vagas para atender a educação infantil, o que equivale a 5.000 mil vagas a serem abertas por ano.
Emenda da Participação Popular
Diante da importância da participação popular na elaboração da lei orçamentária, a oposição também aproveitou para apresentar a “emenda da participação popular”, que define a inclusão na lei de um relatório com as sugestões apresentadas por cada uma das regionais na época das audiências públicas que precedem a elaboração da LDO 2012. Pois desta forma, justificam os vereadores, valoriza-se a participação popular na definição do orçamento público.
Trâmite
O segundo turno para votação do projeto da LDO será na terça-feira (28). Após aprovado, a Câmara terá dez dias para enviá-lo à prefeitura e o prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, 15 dias úteis para sancionar a lei.
Assessoria de imprensa PT Curitiba: Ana Carolina Caldas